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Ser mãe foi sempre um sonho meu. 

Se, na adolescência, me perguntassem qual era o meu “plano”, diria sempre que queria ter dois filhos até aos 25 anos. 

Claro que esse plano, como muitos outros, não se concretizou. 

Mas o desejo de ser mãe nunca desapareceu. 

O “príncipe encantado” é que teimava em não aparecer, o que, naturalmente, dificultava as coisas. 

Já não sei com que idade percebi que poderia ser mãe independente, mas sei que, aos 30 anos, estabeleci uma meta para mim mesma: se até aos 35 anos o tal “príncipe encantado” não se materializasse, entre os 35 e os 40 seria mãe, com recurso a dador. 

Os anos passaram e os 35 chegaram, sem grandes perspetivas de companheiro duradouro. Nessa altura, porém, ainda não estava em posição de avançar. 

Não vivia em Portugal e, para mim, seria impensável ter um filho sozinha num país onde estava, também eu, sozinha. 

Comecei, então, a focar energias em poupar dinheiro, para comprar casa em Portugal. 

Em plena pandemia consegui fazê-lo, e apontei, finalmente, as energias para “comprar o bebé”, como eu dizia, em tom de brincadeira. 

Ainda ponderei recorrer ao SNS, mas percebi que, com a pandemia, as listas de espera tornariam a situação inviável, sobretudo tendo já 37 anos. 

Com 39 anos fui à minha primeira consulta numa clínica de fertilidade. 

Os resultados da análise à reserva ovárica foram um balde de água fria. 

De todo não era o resultado esperado. 

Lembro-me que estava na praia e escondi dos meus amigos a desilusão, enquanto tentava perceber qual seria o próximo passo. 

Na consulta de resultados, pouco tempo depois, já sabia, com toda a certeza, que iria utilizar óvulos doados. 

Ponderei bem, e, tendo em conta os quase 40 anos, a baixa reserva e uma doença genética de que sou portadora, percebi que era a opção mais sensata.

Tentar uma inseminação com os meus óvulos seria apenas deitar dinheiro à rua, quando já estamos a falar de procedimentos tão dispendiosos. 

Sei que há quem tenha dificuldade em aceitar a falta de relação genética com os filhos, mas isso para mim nunca foi uma questão.

Ser mãe era o objetivo.

As mães adotivas são tão mães como as biológicas. 

E, no meu caso, o material genético poderia não ser meu, mas o bebé iria crescer dentro de mim. 

Acabei por avançar um ano depois, já com os 40 anos feitos, recorrendo a um embrião doado. 

Tive sorte. Correu tudo lindamente, à primeira. 

Nove meses depois tinha um bebé perfeitinho, que agora é uma pequena terrorista, como qualquer criança saudável e feliz. 

E gostei tanto… que quero repetir.